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Café brasileiro produzido em Minas Gerais quebra recorde histórico em leilão internacional no Japão

Café brasileiro produzido em Minas Gerais quebra recorde histórico em leilão internacional no Japão

Um lote especial cultivado na Serra da Mantiqueira foi arrematado por valor equivalente a mais de R$ 2 mil o quilo, alcançando a maior cotação já registrada para o grão nacional.

Por Redação •

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Um café especial produzido em Minas Gerais alcançou uma marca histórica ao ser vendido por US$ 26.456 a saca de 60 kg — o equivalente a cerca de R$ 134.581,67 na cotação atual. O valor impressionante, que resulta em mais de R$ 2.000 por quilo do produto, foi atingido durante o SCAJ 2026 — World Specialty Coffee Conference and Exhibition, prestigiado evento organizado pela Associação de Cafés Especiais do Japão, realizado em Tóquio.

A expressiva quantia representa o maior valor já pago por um café brasileiro na história dos leilões promovidos pela Alliance for Coffee Excellence (ACE). A organização internacional é responsável por reunir produtores de elite reconhecidos mundialmente pelo cultivo de grãos de qualidade excepcional, tendo acumulado premiações no Cup of Excellence, amplamente considerado o "Oscar" da cafeicultura mundial. Atualmente, apenas seis países integram o seleto grupo da entidade: Brasil, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua.

O lote recordista é originário da Fazenda Santuário Sul, localizada no município de Carmo de Minas. A propriedade já é consolidada como uma referência nacional na produção de cafés de alta qualidade e acumula prêmios importantes no setor. O arremate foi realizado pela empresa japonesa Snow Beans Coffee durante o pregão internacional.

O segredo por trás do grão premiado

Para o produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, descendente de uma linhagem de quatro gerações dedicadas à cafeicultura, o resultado histórico coroa um rigoroso processo que demanda meses de dedicação no campo. O investimento da família na produção de cafés especiais teve início nos anos 2000, com o propósito de projetar a qualidade do café brasileiro no exterior.

O produtor detalha que o lote vencedor pertence à variedade geisha natural, conhecida por seu elevado potencial produtivo e por conferir à bebida características sensoriais marcantes, como notas florais de jasmim e nuances de mamão papaia, resultando em um perfil de sabor mais doce e delicado ao paladar. Além do manejo técnico, Pereira destaca que a geografia da Fazenda Santuário Sul foi determinante para o sucesso: situada nas montanhas da Serra da Mantiqueira, a propriedade beneficia-se de um clima ameno e propício para o desenvolvimento dos frutos.

Superação de recordes anteriores

O montante de US$ 200 por libra-peso pago pelo lote mineiro estabelece um novo patamar para a cafeicultura nacional, superando em 40% o recorde brasileiro anterior, que vigorava desde 2018. Naquela ocasião, o produto máximo havia sido comercializado por US$ 143 por libra-peso, totalizando US$ 18,9 mil por saca — cerca de R$ 96,2 mil à época.

Ao celebrar a conquista, Luiz Paulo enfatizou a importância de compartilhar o marco com o país e reforçar a competitividade do setor agrícola brasileiro no cenário global. "Dividir essa vitória com o Brasil. Mostrar que a gente pode valorizar o nosso produto e, principalmente, que o mercado reconhece que o Brasil tem potencial de produzir os melhores cafés do mundo", declarou o produtor.


Fonte original: G1


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