Minas Gerais, Quarta-feira, 04 de novembro de 2026
18°C
chuva moderada
12h
18°
15h
19°
18h
18°
21h
18°
00h
16°
03h
15°
Folha de Minas
Rota de saída de Flávio Bolsonaro pela Tríplice Fronteira revela apoio político e investigações na Argentina

Rota de saída de Flávio Bolsonaro pela Tríplice Fronteira revela apoio político e investigações na Argentina

O trajeto percorrido por Flávio Bolsonaro em direção à Argentina e aos Estados Unidos passou por Foz do Iguaçu, reduto de forte apoio bolsonarista, gerando repercussão política e questionamentos jurídicos sobre o envolvimento do governo de Javier Milei.

Por Redação •

0:00
--:--

Se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de fato entrou na Argentina a partir de Foz do Iguaçu (PR) antes de seguir para Miami, conforme informou o governo de Javier Milei, ele e sua família passaram por uma região de forte presença bolsonarista e com histórico de apoio político a integrantes do grupo. Dias após a eleição presidencial, carros com adesivos da campanha do senador e bandeiras do Brasil integraram a paisagem local. Em algumas cidades da tríplice fronteira, o parlamentar chegou a registrar 70% dos votos válidos no segundo turno, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Presença de foragidos e repercussão regional

Um dos foragidos mais notórios do 8 de Janeiro que permanecem na região é o ex-assessor parlamentar Leonardo Rodrigues de Jesus, 43, conhecido como Léo Índio e primo dos filhos mais velhos de Jair Bolsonaro. Ele está em Porto Iguaçu, do lado argentino, desde 2025. Em março do mesmo ano, a imprensa esteve no endereço declarado por ele ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde moradores afirmaram que ele não residia. Na mesma data, Léo Índio deu entrevista a uma emissora argentina na qual celebrou a saída do primo do Brasil para evitar a prisão e classificou os eventos de 8 de Janeiro como uma manifestação pacífica.

Em 2024, o STF contabilizou 61 foragidos na Argentina em decorrência da tentativa de golpe. Dos cinco bolsonaristas mais notórios que buscaram o exterior para evitar a Justiça, três escolheram passar por Foz do Iguaçu: Flávio Bolsonaro, Carla Zambelli e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal. Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem chegaram aos Estados Unidos por outros meios, respectivamente de avião e cruzando por terra a fronteira de Roraima com a Guiana.

Zambelli e Silvinei deslocaram-se de carro até Foz do Iguaçu. A ex-deputada cruzou para a Argentina e seguiu para os Estados Unidos e a Itália utilizando passaporte italiano. Já Silvinei foi preso no aeroporto de Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar para El Salvador, após abandonar sua tornozeleira eletrônica na rodoviária de Ciudad del Este, cidade vizinha a Foz.

Lacunas na investigação e contexto político local

No caso de Flávio Bolsonaro, os detalhes exatos de sua chegada à Argentina ainda contêm lacunas. Emissoras argentinas registraram uma van brasileira no aeroporto de Porto Iguaçu atribuída ao senador e seus familiares. A proprietária do veículo recusou-se a prestar esclarecimentos e relatou ter sofrido ameaças, além de manter vínculos nas redes sociais com o advogado Willer Tomaz, sócio de Flávio e alvo de investigações por suspeita de lavagem de dinheiro.

A unidade da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, voltada para o combate ao contrabando e ao tráfico, não foi acionada para apoiar a apuração conduzida em Brasília. O prefeito de Foz do Iguaçu, general Joaquim Silva e Luna (PL), exerceu cargos de destaque nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Durante o período eleitoral, funcionou na cidade o "QG 100% Bolsonaro", iniciativa de parlamentares locais para concentrar apoiadores. O local foi posteriormente pichado com críticas ao movimento.

Desdobramentos e investigações na Argentina

O nível de envolvimento do governo de Javier Milei na operação de saída do senador brasileiro permanece sob escrutínio. A gestão argentina justificou a entrada de Flávio com base na apresentação de documentação válida e na ausência de alertas ativos da Interpol. O senador utilizou passaporte italiano para ingressar no país vizinho e o passaporte diplomático brasileiro para entrar nos Estados Unidos.

O jato privado utilizado por Flávio a partir de Porto Iguaçu foi operado pela Baires Fly S.A., empresa citada em investigações sobre corrupção e desvios de recursos públicos na Argentina. Veículos da imprensa argentina também relataram a suposta presença de Santiago Caputo, assessor de Milei, na região durante a operação, além do uso de carros oficiais da Entidade Binacional de Yacyretá por funcionários que acompanharam a movimentação, embora Caputo tenha negado as acusações.

A oposição argentina apresentou iniciativas legislativas e denúncias penais contra o governo de Milei para apurar supostos crimes de encobrimento agravado, abuso de autoridade e peculato na fuga. No entanto, uma denúncia apresentada na Justiça de Porto Iguaçu foi arquivada em menos de 48 horas após parecer do Ministério Público Federal concluir que não houve ilegalidades na entrada do senador no país, enquanto outros processos seguem tramitando em tribunais de Buenos Aires.


Fonte original: Diário do Comércio


Leia Também

Em destaque · Empreender

5 ideias de negócios para começar pequeno

Comece com o que tem. Compare custos, descubra quanto pode sobrar e planeje seu primeiro passo.

Contas abertas · Simulador · Passo a passo Conhecer as 5 ideias

Indicadores

Dólar
R$ 5,48
▲ 0,12%
Ibovespa
165.529
▼ -1,42%
Nasdaq
25.372
▲ 0,83%
Bitcoin
R$ 418.000,00
▲ 1,45%