Minas Gerais, Terça-feira, 20 de outubro de 2026
5°C
céu limpo
09h
5°
12h
14°
15h
21°
18h
21°
21h
12°
00h
7°
Folha de Minas
Sete pessoas são denunciadas por tortura, cárcere privado e abusos sexuais em clínicas em Minas Gerais

Sete pessoas são denunciadas por tortura, cárcere privado e abusos sexuais em clínicas em Minas Gerais

Ministério Público de Minas Gerais denuncia sete suspeitos de crimes em clínicas clandestinas em Montes Claros, que mantinham internos em situação de vulnerabilidade sob violência e privação de liberdade.

Por Redação •

0:00
--:--

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou denúncia contra sete pessoas suspeitas de envolvimento em crimes de tortura, cárcere privado e abusos sexuais cometidos em duas clínicas clandestinas de internação voltadas para pessoas em situação de vulnerabilidade, localizadas em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais.

De acordo com as investigações detalhadas na denúncia, cerca de 15 pessoas teriam sido mantidas em cárcere privado entre os anos de 2023 e 2026. Do total de vítimas, nove eram adolescentes à época dos fatos, e quatro eram mulheres que apresentavam transtornos mentais.

Alvos da denúncia e papéis no esquema

Entre os sete denunciados pelo MPMG, encontram-se:

  • O proprietário dos estabelecimentos, apontado pelas autoridades como o líder do grupo;
  • Três coordenadoras;
  • Uma técnica em enfermagem;
  • Um psicólogo;
  • Um responsável pela vigilância dos internos.

Conforme apurado pelo Ministério Público, as vítimas tinham seus documentos e telefones confiscados, além de sofrerem restrições severas no contato com seus familiares. Os relatos indicam que os internos eram submetidos a agressões físicas, trabalho forçado, amarrações em camas como forma de castigo e administração de medicamentos psicotrópicos sem qualquer prescrição médica.

Acusações de abuso sexual e financiamento

O proprietário das clínicas também enfrenta acusações graves de abuso sexual contra internas. A denúncia aponta que adolescentes eram levadas a motéis por integrantes do esquema sob a falsa promessa de que conseguiriam uma liberação antecipada.

As unidades investigadas, identificadas como Clínica Assistencial Fortalecer e Instituto Feminino Fortalecer, teriam movimentado valores expressivos. Juntas, receberam mais de R$ 700 mil repassados por pelo menos 23 municípios mineiros entre 2022 e abril de 2026, além dos pagamentos efetuados diretamente pelas famílias das vítimas.

Interdição e continuidade clandestina

O MPMG destacou que as clínicas foram formalmente interditadas pela Justiça em fevereiro de 2025; no entanto, os estabelecimentos ignoraram a decisão e continuaram operando de maneira clandestina.

A investigação policial e ministerial também revelou manobras para encobrir os crimes, incluindo tentativas de intimidar as vítimas e de esconder internas momentos antes de fiscalizações oficiais. Em setembro de 2026, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão no âmbito do caso.

Como desdobramento jurídico, o Ministério Público solicitou a decretação da prisão preventiva de quatro dos denunciados, bem como a condenação ao pagamento de uma indenização mínima destinada à reparação dos danos causados às vítimas. Paralelamente, novos inquéritos foram requeridos para apurar suspeitas adicionais de agressões, abusos sexuais e óbitos ocorridos nas dependências das unidades. Os acusados respondem às denúncias, cujos desdobramentos agora serão analisados pela Justiça.


Fonte original: BHAZ


Leia Também